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A grande tribulação: Que conversa é essa?

A grande tribulação: Que conversa é essa?

O estudo das profecias sobre o fim dos tempos (chamado na teologia de escatologia) é um dos assuntos mais fascinantes e debatidos dentro das igrejas cristãs protestantes. Entre esses temas, o período conhecido como a Grande Tribulação e o momento em que ocorrerá o Arrebatamento da Igreja geram diferentes interpretações entre estudiosos dedicados à Palavra de Deus.

Os objetivos deste humilde estudo são introduzir o leitor no assunto e tentar explicar, com uma linguagem simples, clara e educativa, o que é a Grande Tribulação, quais profetas falaram sobre ela e como as três principais correntes de interpretação protestantes explicam esse período. Para facilitar o aprendizado e o ensino, as principais passagens bíblicas citadas foram transcritas.


1. O que é a Grande Tribulação e quem a profetizou?


A palavra "tribulação" no Novo Testamento vem do grego thlipsis, que significa pressão esmagadora, aflição ou sofrimento severo. No entanto, a Grande Tribulação não se refere às lutas comuns do dia a dia do cristão, mas sim a um período específico de tempo no futuro em que o julgamento de Deus será derramado sobre a Terra e sobre a impiedade humana, ao mesmo tempo em que a nação de Israel passará por um processo de purificação para reconhecer Jesus como o Messias.

A maioria das igrejas protestantes que estudam o futuro de forma literal entendem que esse período durará 7 anos, correspondendo à famosa "70ª semana" descrita pelo profeta Daniel.


1.1 O Testemunho dos Profetas no Antigo Testamento

Vários profetas receberam revelações de Deus sobre esse tempo terrível, muitas vezes chamando-o de "O Dia do Senhor" (um tempo especial de intervenção divina na história).


O Profeta Daniel

Daniel nos dá a estrutura do tempo do fim. Ele explica que Deus separou um período de 70 semanas de anos (490 anos no total) para tratar com o povo de Israel e Jerusalém. Sessenta e nove semanas já se cumpriram no passado. A última semana (7 anos) representa o período da tribulação.


Daniel 9:27

"E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador."


Daniel também descreve a intensidade desse período:


Daniel 12:1

"E naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta pelo teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que se achar escrito no livro."


O Profeta Jeremias

Jeremias usa uma expressão muito conhecida: "o tempo de angústia para Jacó" (lembrando que Jacó representa a nação de Israel). Isso mostra que um dos principais objetivos desse período é a restauração espiritual de Israel.


Jeremias 30:7

"Ah! porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante; e é tempo de angústia para Jacó; todavia, livrar-se-á dela."


O Profeta Joel

Joel descreve esse dia com imagens fortes e solenes de escuridão e juízo cósmico.


Joel 2:1-2

"Tocai a trombeta em Sião, e clamai em alta voz no meu santo monte; perturbem-se todos os moradores da terra, porque o dia do Senhor vem, já está perto; dia de trevas e de tristeza; dia de nuvens e de densas trevas..."


O Profeta Sofonias

Sofonias mostra que esse dia será marcado pela manifestação da justiça e da indignação de Deus contra o pecado.


Sofonias 1:14-15

"O grande dia do Senhor está perto, sim, está perto, e se apressa muito; a voz do dia do Senhor é amarga; ali clamará poderosamente o homem poderoso. Aquele dia será um dia de indignação, dia de angústia e de ânsia, dia de alvoroço e de desolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas."


1.2 A Confirmação no Novo Testamento

No Novo Testamento, o próprio Senhor Jesus Cristo e o apóstolo João confirmam e detalham esse período.


O Ensinamento de Jesus

Jesus alertou que a humanidade viveria o pior momento de sofrimento de toda a sua história.


Mateus 24:21

"Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver."


O Apocalipse de João

No último livro da Bíblia, nos capítulos 6 a 18, João descreve a Grande Tribulação por meio de uma série de julgamentos divididos em: os Sete Selos, as Sete Trombetas e as Sete Taças da ira de Deus.


2. A Corrente Pré-Tribulacionista


O Pré-tribulacionismo ensina que a Igreja de Jesus Cristo será arrebatada (retirada da Terra) antes que os 7 anos da tribulação comecem.

Para essa linha de pensamento, a segunda vinda de Jesus acontece em duas fases distintas:


  1. O Arrebatamento: Jesus vem de forma invisível e iminente (pode acontecer a qualquer momento) nas nuvens para buscar a Sua Igreja. Os crentes vivos são transformados e os mortos ressuscitam, subindo todos para o céu.

  2. A Revelação em Glória: Ao final dos 7 anos, Jesus volta fisicamente com a Sua Igreja para derrotar o Anticristo na Batalha do Armagedom e estabelecer o Seu Reino na Terra (o Milênio).


Esta visão se baseia fortemente no Dispensacionalismo (que estudaremos adiante), uma forma de ler a Bíblia que defende que Deus tem planos distintos para a Igreja (um povo de caráter celestial) e para Israel (um povo de caráter terreno).


2.1 Passagens Bíblicas de Sustentação

Os defensores da corrente pré-tribulacionista utilizam textos que prometem que os crentes salvos e justificados por Cristo não passarão pela ira de Deus.


Apocalipse 3:10

"Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra."


1 Tessalonicenses 1:10

"E esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura."


1 Tessalonicenses 5:9

"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo."


Eles também apontam para as passagens clássicas sobre a transformação rápida e silenciosa do corpo no arrebatamento:


1 Tessalonicenses 4:16-17

"Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor."


1 Coríntios 15:51-52

"Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta tocará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados."


Outro argumento é sobre o papel do Espírito Santo e da Igreja em impedir que o mal domine o mundo completamente. Quando a Igreja for retirada, o Anticristo poderá se manifestar livremente.


2 Tessalonicenses 2:7-8

"Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda."


2.2 Adoção Denominacional e Personalidades

  • No Mundo: É a visão mais popular no ambiente evangélico mundial moderno, difundida por autores de livros e filmes sobre o fim dos tempos.

  • No Brasil: É amplamente adotada pela Assembleia de Deus (a maior denominação pentecostal do país, que possui essa doutrina em sua Declaração de Fé oficial), pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), pela Igreja do Evangelho Quadrangular e pela maioria das igrejas batistas e comunidades neopentecostais.

  • Expoentes: John Nelson Darby (que organizou essa teologia no século 19), C. I. Scofield, Charles Ryrie, John Walvoord e Tim LaHaye (autor da famosa série de livros Deixados Para Trás). No Brasil, grandes nomes assembleianos como Claudionor de Andrade, Osiel Gomes e o pastor Silas Malafaia são defensores ferrenhos dessa visão.


3. A Corrente Meso-Tribulacionista


O Meso-tribulacionismo (também chamado de Mid-tribulacionismo) é uma visão intermediária. Ela ensina que a Igreja passará pela primeira metade dos 7 anos (os primeiros 3 anos e meio).

Os defensores dessa corrente dividem o período em dois:


  1. Os primeiros 3 anos e meio: Tempo de perseguição gerada pelos homens e pelo Anticristo (o que eles chamam de "tribulação comum").

  2. Os últimos 3 anos e meio: Tempo do derramamento da "Ira de Deus" sobre a Terra.


O Arrebatamento aconteceria exatamente na metade dos 7 anos, poupando a Igreja da fase final e mais terrível do juízo de Deus.


3.1 Passagens Bíblicas de Sustentação

Esta corrente foca nas constantes divisões de tempo encontradas em Daniel e Apocalipse, que mostram que os eventos cruciais acontecem no meio do período de 7 anos.


Daniel 9:27

"E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação..."


Daniel 7:25

"E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e metade de um tempo."


(Nota: "Um tempo, tempos e metade de um tempo" equivaleria a 3 anos e meio).


Os meso-tribulacionistas também relacionam o arrebatamento que acontece ao som da "última trombeta" (mencionada por Paulo em 1 Coríntios 15:52) com a sétima trombeta do livro de Apocalipse, que toca exatamente na metade do livro.


Apocalipse 11:15

"E o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre."


Eles também interpretam a "colheita" que acontece no meio do Apocalipse como o arrebatamento dos fiéis, seguido logo depois pela colheita da ira de Deus.


Apocalipse 14:14-16

"E olhei, e eis uma nuvem branca, e assentado sobre a nuvem um semelhante ao Filho do homem, que tinha sobre a sua cabeça uma coroa de ouro, e na sua mão uma foice aguda. E outro anjo saiu do templo, clamando com grande voz ao que estava assentado sobre a nuvem: Lança a tua foice, e sega; a hora de segar te é vinda, porque já a seara da terra está madura. E aquele que estava assentado sobre a nuvem meteu a sua foice à terra, e a terra foi segada."


3.2 Adoção Denominacional e Personalidades

  • No Mundo e no Brasil: Essa corrente não é adotada como padrão oficial por nenhuma das grandes denominações históricas ou pentecostais. Ela é estudada e defendida principalmente no meio acadêmico, por professores de seminários e pastores de igrejas independentes ou de comunidades que preferem uma abordagem estritamente focada na harmonia das passagens bíblicas.

  • Expoentes: Norman B. Harrison (um dos primeiros a sistematizar essa doutrina), J. Oliver Buswell (renomado teólogo presbiteriano) e Gleason L. Archer (um dos maiores estudiosos de línguas bíblicas originais do mundo).


4. A Corrente Pós-Tribulacionista


O Pós-tribulacionismo é a visão clássica e histórica que ensina que a Igreja passará por todo o período de 7 anos da Grande Tribulação.

Nesta perspectiva, não existem duas fases separadas por anos na vinda de Cristo. O Arrebatamento e a Segunda Vinda de Jesus ocorrem em um único dia.


  • Durante a tribulação, a Igreja é guardada espiritualmente por Deus em meio aos sofrimentos terrenos.

  • Ao final dos 7 anos, Jesus desce visivelmente dos céus. A Igreja viva é arrebatada e os mortos em Cristo ressuscitam para encontrar o Senhor nos ares.

  • Esse encontro nos ares serve para que os crentes se juntem a Jesus como uma comitiva de honra, descendo imediatamente com Ele para a Terra para estabelecer o Reino de Deus.


4.1 Passagens Bíblicas de Sustentação

Os defensores dessa visão baseiam-se nas palavras claras de Jesus, que colocou a reunião dos Seus escolhidos explicitamente após os dias de aflição.


Mateus 24:29-31

"E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus."


O apóstolo Paulo também instruiu os tessalonicenses de que eles não deveriam se assustar pensando que o Dia do Senhor já havia chegado, pois esse dia só viria após a revelação do Anticristo.


2 Tessalonicenses 2:1-3

"Ora, irmãos, rogo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso modo de pensar, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto. Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição."


Paulo também descreve que o alívio para os que sofrem perseguição acontecerá no mesmo momento em que Jesus se revelar para julgar os ímpios.


2 Tessalonicenses 1:6-7

"Se de fato é justo diante de Deus que ele dê em pagamento tribulação aos que vos atribulam, e a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder."


Outro ponto importante é a palavra grega usada para descrever o "encontro" com o Senhor nos ares: apantesis. Na época bíblica, essa palavra era usada para descrever a comitiva de cidadãos que saía de uma cidade para receber um rei que estava chegando e acompanhá-lo de volta para dentro da cidade.


1 Tessalonicenses 4:17

"Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor."


Finalmente, os pós-tribulacionistas apontam para a ressurreição dos fiéis martirizados pelo Anticristo como parte da "primeira ressurreição", entendendo que a Igreja estava presente durante o domínio da Besta.


Apocalipse 20:4

"E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa nem na mão; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos."


4.2 Adoção Denominacional e Personalidades

  • No Mundo: É uma visão historicamente forte nas igrejas reformadas (calvinistas), luteranas, presbiterianas, anglicanas e metodistas tradicionais, que não dividem a história da salvação em dispensações separadas para judeus e gentios.

  • No Brasil: É amplamente ensinada nos púlpitos e seminários da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) e nas igrejas batistas reformadas. Além disso, no meio pentecostal não clássico, a Congregação Cristã no Brasil (CCB) adota em seus pontos de doutrina oficiais a crença de uma vinda visível e unificada de Jesus com o arrebatamento e a ressurreição ocorrendo no mesmo momento final.

  • Expoentes: Grandes líderes da igreja antiga como Justino Mártir e Irineu de Lião defendiam que a igreja passaria pelo governo do Anticristo. No período contemporâneo, grandes nomes como George Eldon Ladd, Wayne Grudem e o respeitado pastor batista John Piper são referências nesta visão. No Brasil, teólogos reformados como Augustus Nicodemus (que segue a linha amilenista, crendo que a Igreja enfrentará as tribulações finais do mundo antes da vinda de Cristo) e Franklin Ferreira ensinam de maneira semelhante.


5. Tabela Comparativa de Escatologia


Para facilitar a compreensão das diferentes visões, a tabela a seguir organiza de forma visual e sequencial como cada uma das três correntes enxerga a ordem dos acontecimentos proféticos, acompanhada das passagens bíblicas mais marcantes de cada uma.


5.1 Tabela Comparativa de Escatologia

Corrente Escatológica

Linha do Tempo e Ordem dos Eventos

Passagens Bíblicas de Sustentação 

Pré-Tribulacionismo


(O Arrebatamento acontece antes do sofrimento)

Arrebatamento invisível e súbito da Igreja. 


Surgimento do Anticristo e início dos 7 anos de Tribulação. 


A Igreja permanece no céu (Tribunal de Cristo e Bodas).


Segunda Vinda visível de Jesus com a Igreja glorificada ao fim dos 7 anos.


Derrota do Anticristo e início do Milênio literal.

📖 Apocalipse 3:10


"Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo..."



📖 1 Tessalonicenses 5:9


"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo."



📖 1 Tessalonicenses 4:16-17


"Porque o mesmo Senhor descerá do céu... e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles..."

Meso-Tribulacionismo


(O Arrebatamento acontece no meio do período)

Início dos 7 anos com o surgimento do Anticristo.


A Igreja passa pelos primeiros 3 anos e meio (perseguição dos homens).


Arrebatamento no ponto médio (ao som da "última/sétima trombeta").


Derramamento das Taças da Ira de Deus nos últimos 3 anos e meio (sem a Igreja).


Segunda Vinda visível de Cristo e estabelecimento do Milênio.

📖 Daniel 7:25


"...e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e metade de um tempo [3 anos e meio]."



📖 1 Coríntios 15:52


"Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta tocará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados."



📖 Apocalipse 11:15


"E o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor..."

Pós-Tribulacionismo


(O Arrebatamento acontece após o sofrimento)

Surgimento do Anticristo e início dos 7 anos.


A Igreja enfrenta perseguição e permanece na Terra durante toda a Grande Tribulação.


Deus guarda e sustenta espiritualmente a Igreja em meio aos flagelos.


Ao fim dos 7 anos, ocorre a ressurreição e o Arrebatamento da Igreja para encontrar Jesus nos ares.


A Igreja desce imediatamente com Jesus à Terra (Segunda Vinda unificada) para reinar.

📖 Mateus 24:29-31


"E, logo depois da aflição daqueles dias... verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos..."



📖 2 Tessalonicenses 2:1-3


"Ora, irmãos, rogo-vos, pela vinda de nosso Senhor... e pela nossa reunião com ele, que não... vos perturbeis... porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado..."



📖 Apocalipse 20:4


"E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus... e que não adoraram a besta... e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos."


6. O que significa o Dispensacionalismo e qual sua base bíblica?


Para compreender os debates sobre a Grande Tribulação, é fundamental estudar o Dispensacionalismo. O termo deriva da palavra grega oikonomia, traduzida na Bíblia como "mordomia", "administração" ou "gerência" do plano divino.

No sentido teológico protestante, o Dispensacionalismo é um sistema de interpretação bíblica que divide a história humana em diferentes períodos de tempo (chamados de "dispensações"). Em cada um desses períodos, Deus lida com a humanidade de uma maneira específica, revelando novas verdades e exigindo responsabilidades diferentes.

A Bíblia usa o termo oikonomia para descrever uma mordomia ou dever administrativo que Deus confia aos Seus servos:


Lucas 16:2

"E ele, chamando-o, disse-lhe: Que é isto que ouço de ti? Dá contas da tua mordomia [oikonomia], porque já não poderás ser mais meu mordomo."


Efésios 1:10

"De fazer convergir em Cristo, na dispensação [oikonomia] da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra."


Efésios 3:2

"Se é que tendes ouvido a dispensação [oikonomia] da graça de Deus, que para convosco me foi dada."


Colossenses 1:25

"Da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação [oikonomia] de Deus, que me foi dada para convosco, para cumprir a palavra de Deus."


6.1 O Anúncio Profético e a Divisão da História


Embora o sistema dispensacionalista tenha sido estruturado formalmente no século 19, os seus defensores argumentam que a própria Bíblia apresenta uma história de progresso na revelação, em vez de um plano estático. Os profetas do Antigo Testamento apontavam para uma transição radical de eras, mostrando que Deus estabeleceria novas administrações do Seu plano salvífico.

Por exemplo, os profetas já anunciavam uma distinção entre a era da Lei Mosaica e o tempo em que Deus derramaria o Seu Espírito de forma nova e generalizada sobre a humanidade na era da Graça, antes que chegassem os julgamentos terríveis do Dia do Senhor.


7. Investigação da Corrente Dispensacionalista usada como base do pré-tribulacionismo



A corrente dispensacionalista apoia-se em dois grandes pilares hermenêuticos (lentes de leitura bíblica):

Interpretação Literal e Consistente: Defesa de que as profecias bíblicas e os textos poéticos devem ser compreendidos em seu sentido mais direto, gramatical e natural possível, rejeitando espiritualizar ou alegorizar as promessas.

Separação Radical entre Israel e a Igreja: A crença de que Deus tem dois planos de redenção distintos e paralelos na história humana. Israel é o povo terreno de Deus (com promessas literais de terra, trono físico e reinado terreno), enquanto a Igreja é o povo celestial (formado por crentes judeus e gentios, iniciado no Pentecostes e com promessas de lar celestial).

Historicamente, a teologia dispensacionalista clássica organiza a história humana em sete dispensações:


1- Inocência (do Éden até a queda de Adão)

2- Consciência (da queda até o Dilúvio)

3- Governo Humano (de Noé até a torre de Babel)

4- Promessa (de Abraão até a entrega da Lei por Moisés)

5- Lei (de Moisés até o Pentecostes e morte de Cristo)

6- Graça / Era da Igreja (da vinda de Cristo até o Arrebatamento)

7- Reino Milenar (o reinado físico de Cristo de 1.000 anos na Terra)


7.1 Passagens Bíblicas de Sustentação do Dispensacionalismo


Os dispensacionalistas utilizam textos que demonstram que a Igreja é uma entidade inteiramente nova na história, sem herdar as promessas físicas dadas ao Israel nacional.


Efésios 2:11-13

"Portanto, lembrai-vos de que vós, noutro tempo, éreis gentios na carne e chamados incircuncisão pelos que, na carne, se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; que, naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos aos concertos da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto."


Eles também apontam para Romanos como prova de que as promessas nacionais dadas a Israel não foram anuladas ou transferidas espiritualmente para a Igreja, e que Deus voltará a tratar exclusivamente com a nação após a plenitude dos gentios.


Romanos 11:25-26

"Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não sejais sábios em vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades."


Para destacar que judeus, gentios e a Igreja de Deus são grupos independentes no plano administrativo atual, são citados:


1 Coríntios 10:32

"Portanto, não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gregos, nem para a igreja de Deus."


Eles também sustentam que a profecia de Daniel sobre o destino de Israel (as 70 semanas) refere-se especificamente ao povo judeu e à cidade física de Jerusalém, de modo que a Era da Igreja funciona como um "parêntese" que interrompe temporariamente esse cronograma de juízo.


Daniel 9:24-25

"Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressão, e dar fim aos pecados, e expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e ungir o Santo dos Santos. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas e sessenta e duas semanas; as ruas e os muros se reedificarão, mas em tempos angustiosos."


7.2 Adoção Denominacional e Personalidades


No Mundo: É a corrente que predomina largamente nos círculos pentecostais mundiais, batistas independentes, além do Instituto Bíblico Moody e do Seminário de Dallas nos Estados Unidos.

No Brasil: O Dispensacionalismo obteve enorme sucesso no Brasil, moldando a crença popular e a teologia prática de denominações gigantes como a Assembleia de Deus, a Igreja do Evangelho Quadrangular, a Igreja Deus é Amor, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e a maioria das igrejas batistas tradicionais e renovadas. O livro "O Plano Divino Através dos Séculos", de Nels Lawrence Olson, serviu por gerações como o guia explicativo para essa escatologia nas escolas bíblicas brasileiras.

Expoentes: John Nelson Darby (Irlanda), C. I. Scofield (responsável pela famosa Bíblia de Referência Scofield), Charles Ryrie (autor da Teologia Básica), John F. Walvoord e John MacArthur (pastor e teólogo reformado de linha dispensacionalista). No Brasil, Claudionor de Andrade e Osiel Gomes destacam-se como seus propagadores editoriais.


8. Investigação da Corrente não-Dispensacionalista (Aliancismo) usada como base do pós-tribulacionismo


O Aliancismo (ou Teologia do Pacto) é a corrente tradicional e histórica dominante do protestantismo reformado. Esta perspectiva rejeita categoricamente a divisão da história em "dispensações" cronológicas e refuta a ideia de que Deus tem dois povos e dois planos salvíficos separados (Israel e a Igreja).

O Aliancismo defende que a história bíblica é unificada, linear e baseada no desdobramento de grandes alianças e pactos espirituais. Para essa visão, a Igreja não é um parêntese misterioso ou um plano B na história: a Igreja é a continuação direta, o herdeiro e o cumprimento espiritual do verdadeiro Israel do Antigo Testamento. Judeus e gentios que creem no Messias formam, juntos, um único povo sob o Pacto da Graça.


A Teologia do Pacto explica a história bíblica por meio de três grandes pactos teológicos:


Pacto da Redenção: Feito na eternidade, antes da criação do mundo, no qual o Pai, o Filho e o Espírito Santo acordaram o plano para salvar a humanidade caída.

Pacto das Obras: Firmado com Adão antes da queda. Deus prometeu vida eterna para Adão e sua descendência se houvesse obediência perfeita, e morte física e espiritual em caso de transgressão. Adão falhou, lançando a humanidade na condenação.

Pacto da Graça: Estabelecido por Deus com Adão logo após a queda (e revelado ao longo de Abraão, Moisés, Davi e Cristo). É o plano eterno pelo qual Deus salva graciosamente todos os eleitos através da fé no Messias Jesus Cristo, o segundo Adão, que cumpriu de forma perfeita as condições do Pacto das Obras em nosso lugar.


8.1 Passagens Bíblicas de Sustentação do Aliancismo


Os aliancistas defendem a unidade espiritual do povo de Deus citando a aliança eterna que Deus fez com Abraão, alegando que ela é de caráter espiritual e eterno, não limitada à posse de terra física ou linhagem de sangue no Oriente Médio.


Gênesis 17:7

"E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto eterno, para te ser a ti por Deus e à tua semente depois de ti."


Para defender que na Nova Aliança todos os crentes gentios são incorporados como herdeiros legítimos de Abraão de forma igualitária, sem distinções étnicas, eles utilizam:


Gálatas 3:28-29

"Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então, sois descendência de Abraão e herdeiros conforme a promessa."


Eles também sustentam que as alianças do Antigo Testamento eram provisórias e imperfeitas, servindo como sombras e apontamentos para a superioridade e novidade do Pacto da Graça revelado em Jesus Cristo.


Hebreus 8:6-8

"Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores promessas. Porque, se aquela primeira fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para a segunda. Porque, repreendendo-os, lhes diz: Eis que virão dias, diz o Senhor, em que com a casa de Israel e com a casa de Judá estabelecerei uma nova aliança."


Hebreus 8:13

"Dizendo: Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho e se envelhece perto está de acabar."


Para dar suporte ao Pacto da Redenção, firmado antes que houvesse criação física, os aliancistas citam:


Efésios 1:3-4

"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor."


E, para fundamentar a representação federal de Adão e Cristo nas alianças de obras e graça, citam:


Romanos 5:19

"Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos."


Como fundamento para o início do Pacto da Graça logo no Gênesis (chamado de protoevangelho):


Gênesis 3:15

"E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar."


Defendendo que a promessa principal sempre residiu em Cristo, a semente única e definitiva de Abraão:


Gálatas 3:16

"Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua semente. Não diz: E às sementes, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua semente, que é Cristo."


8.2 Adoção Denominacional e Personalidades


No Mundo: É a teologia histórica padrão das igrejas presbiterianas do mundo, igrejas reformadas holandesas, anglicanas reformadas e batistas reformadas confessionais.

No Brasil: Está firmada no DNA da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), de diversas convenções de Igrejas Batistas Reformadas, Igrejas Luteranas Históricas e da Congregação Cristã no Brasil (CCB), que em seus pontos fundamentais de fé endossa um modelo de aliança e retorno unificado de Cristo.

Expoentes: João Calvino (que estruturou a visão pactual), Herman Witsius, Jonathan Edwards, Charles Spurgeon e, mais recentemente, R. C. Sproul, Wayne Grudem e John Piper. No Brasil, o principal polo dessa corrente está no Mackenzie, sob a influência de teólogos como Augustus Nicodemus e Heber Campos Jr.


9. Tabela Comparativa: Dispensacionalismo vs. Aliancismo


Lente de Interpretação

Como Enxerga a História e os Acontecimentos Cronológicos

Passagens Bíblicas de Sustentação 

Dispensacionalismo


(História dividida em épocas e tratamentos distintos)

A história é dividida em períodos de teste moral onde o homem falha e Deus inicia um novo ciclo administrativo. 


O Antigo Testamento refere-se predominantemente a Israel. A Igreja é um parêntese invisível para os profetas antigos.



Cronologia Básica:


1. Dispensação da Lei (Moisés até a cruz);


2. Dispensação da Graça (Pentecoste até o Arrebatamento);


3. Tribulação de 7 anos;


4. Dispensação do Reino Milenar (reinado terreno de 1.000 anos restaurando Israel).

📖 Gênesis 1:28


"E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra."



📖 Êxodo 20:1-2


"Então, falou Deus todas estas palavras, dizendo: Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão."



📖 João 1:17


"Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo."

Aliancismo (Teologia do Pacto)


(História unificada pelo Pacto de Redenção em Cristo)

A história não é dividida em períodos estanques, mas segue uma linha contínua governada pelo Pacto da Graça. 


Não há dois povos; a Igreja é o "verdadeiro Israel" que herda e expande espiritualmente as promessas abraâmicas e davídicas em Cristo Jesus.



Estrutura Básica:


1. Pacto de Obras (do Éden até a Queda);


2. Pacto da Graça (da Queda até a eternidade, unificando todos os salvos históricos sob Jesus);


3. Segunda Vinda final unificada de Cristo (arrebatamento, juízo e novos céus e terra imediatos).

📖 Gênesis 2:16-17


"E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás."



📖 Gênesis 3:15


"E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar."



📖 2 Coríntios 1:20


"Porque todas quantas promessas de Deus há são nele sim; e por ele o Amém, para glória de Deus, por nós."


10. Conclusão 


Enfatizamos que, embora existam discordâncias respeitáveis e complexas na interpretação profética e teológica do tempo do fim, a saber:


Os Pré-tribulacionistas Dispensacionalistas buscam exaltar a extrema santidade da Graça, enfatizando que a noiva purificada pelo sangue de Cristo não deve sofrer os horrores da ira vindoura sobre a impiedade.

Os Meso-tribulacionistas buscam harmonizar com precisão cronológica as trombetas e períodos de tempo descritos de forma simétrica nos profetas antigos.

Os Pós-tribulacionistas Aliancistas destacam a herança corajosa da Igreja ao longo da história, estimulando os fiéis a persistirem firmes e prontos para testemunhar em meio a qualquer tribulação mundana, encontrando sua coroa de glória no dia derradeiro e único da volta visível de Jesus Cristo.


O ensino dessa riqueza doutrinária deve servir para o crescimento intelectual da congregação e para motivar todos os crentes a buscarem uma vida de integridade, perseverança, amor mútuo e profunda esperança no retorno daquele que reinará para todo o sempre.


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